terça-feira, 11 de outubro de 2016

Após sondagens, Micale mantém foco na CBF e revela contatos com Neymar

Campeão olímpico volta ao trabalho na seleção sub-20 em torneio no Chile, elogia Malcom, do Bordeaux, e não conta com Gabriel Jesus: "Já queimou etapas"

Passada a festa pela conquista do título olímpico, é hora de Rogério Micale voltar ao batente. O treinador, que comandou a seleção medalha de ouro na Rio 2016, selou sua permanência na CBF (ao menos por enquanto) e convocou uma equipe sub-20 para um torneio quadrangular que conta com a participação de Chile, Uruguai e Equador e começa nesta quarta-feira, já iniciando o ciclo olímpico que terminará em Tóquio, em 2020.
Rogerio Micale treino Brasil Granja COmary (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)Rogerio Micale, técnico campeão olímpico pela seleção brasileira(Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)






Mais tranquilo após os Jogos do Rio, Micale mostra otimismo com a geração brasileira que começa a subir dos juniores. Em entrevista ao GloboEsporte.com antes do embarque para o Chile, ele conta detalhes de seu novo cotidiano, como o reconhecimento nas ruas e as sondagens recebidas. Ele revela ainda manter contato com Neymar e afirma que Malcom, atacante do Bordeaux, é o expoente da nova geração. Confira a entrevista. 

GloboEsporte.com - O que mudou na sua vida após o título olímpico?
Rogério Micale - Mudou bastante. Quando saio na rua, existe o reconhecimento das pessoas, em relação não só ao título, mas à forma como ele foi conquistado. Sou abordado com muito carinho, e isso é muito bacana. Recebo muitas ligações, tenho o tempo mais escasso, ocupado com mais compromissos. Houve uma mudança significativa na minha vida e eu ainda estou assimilando tudo isso. Além disso, vou me mudar para o Rio. Tenho um acordo com a CBF de dar expediente, ficar mais próximo da equipe, do Tite, do Edu (Edu Gaspar, coordenador de seleções), do Damiani (Erasmo Damiani, coordenador da base). 

- Houve alguma proposta concreta para você sair da CBF?
Sondagens acontecem semanalmente, daqui e de fora, mas até agora não houve nada concreto. Dentro do Brasil, a perspectiva é me manter no projeto olímpico, até porque fui valorizado. 
- E se vier algo de fora do país? 
Bom, aí temos que pensar. Depende de uma série de coisas, mas o meu foco total é na CBF agora.

- O que te atraiu nesse projeto olímpico da CBF?
Tentar buscar o bicampeonato olímpico. Acho que é perfeitamente possível. Vejo uma geração muito forte de jogadores nascidos em 1997, 1998 e 1999 e estou aqui na sub-20 por isso, esse torneio no Chile é para avaliar e conhecer nomes, ampliar o leque. Essa questão do projeto é fundamental para mim. Não adianta sair para um clube, ficar dois meses e ser demitido depois de dois ou três jogos ruins. A perspectiva de longo prazo é o que me motiva, de poder iniciar e terminar um ciclo. A questão não é trabalhar com tranquilidade, até porque isso não existe no futebol. É ter um prazo para conseguir resultados, e aqui eu sei que vou ter esse prazo. Tenho uma estabilidade na CBF, que veio através de conquistas, e isso pesa.

- Você mantém contato com os jogadores campeões olímpicos?
Sim. Não falo direto, mas converso bastante com o Neymar, trocamos mensagens, nesse último jogo contra a Bolívia ele fez um jogo fantástico e eu mandei os parabéns. Pressionou os caras, assim como fez contra Honduras na Olimpíada, roubou a bola e fez o primeiro gol. Conversamos muito para ele sair dessa zona de conforto, porque ele é uma referência, um cara fantástico. Converso também com o Renato Augusto, o Rodrigo Caio. Não falo toda hora, mas mantemos contato sim. É um grupo que não teve um problema sequer, não tenho um "senão" para falar de ninguém. Houve uma identificação muito grande entre todos.
Micale Brasil x Alemanha (Foto: Reuters)Micale e Neymar se abraçam após o ouro olímpico (Foto: Reuters)


Como você avalia essa geração sub-20 no Brasil?
Temos um nível de meio-campistas excepcional, com muita qualidade no setor, e laterais-esquerdos também. Vejo com bons olhos o setor ofensivo, com uns nomes consolidados. O expoente dessa geração seria o Gabriel Jesus, mas ele já queimou etapas. Agora é o Malcom. Temos vários jogadores ali que estão ainda se firmando nessas equipes. Vamos preparar essa equipe, testar os jogadores para o nosso objetivo maior em janeiro, que é o Sul-Americano. Nossa preparação vai do dia 6 a 23 de dezembro, e nosso objetivo é ser campeão. 

Antes dos Jogos Olímpicos, a formação de jogadores no Brasil era muito criticada. Agora, com o título e a boa campanha, a depressão virou euforia rapidamente. Qual a sua avaliação sobre a base brasileira? Ela caminha para a frente?
Eu acho que se caminha para a frente, mas tem um pouco de tudo. Coisas boas, ruins, não dá para fazermos vistas grossas para determinadas situações que acontecem na base. Mas vejo com bons olhos os profissionais da base tentando buscar novos conceitos de jogo, o conhecimento para melhorar o desenvolvimento de nosso jogador. Mas é engraçado, quando as coisas não estão boas, a culpa é da base. Quando melhoram, o jogador é herói por si próprio. Precisamos dar o mérito a todas as pessoas que participam do processo de formação de craques. Temos que ter equilíbrio na análise para poder manter firmeza no caminho que acreditamos e não mudar tudo de acordo com as circunstâncias. Falo desde que assumi, temos uma grande geração de jogadores. Há muito talento no Brasil. 

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