Conhecido por revelar talentos para a elite europeia, clube acena com oportunidade para familiar do atacante para seduzir o Imperador a jogar na 2ª Divisão da França
O Le Havre ganhou destaque em jornais internacionais há algumas semanas. O mundo abriu os olhos para o clube da segunda divisão francesa interessado em contratar Adriano. No primeiro fim de semana de novembro, quando o Imperador visitou as instalações da equipe e a cidade, “Le Havre” foi a segunda palavra mais comentada nos programas esportivos em França, perdendo apenas para o poderoso Paris Saint-Germain.
Para quem vive o futebol europeu, no entanto, o clube não é tão desconhecido.
Paul Pogba, Lassana Diarra e Dimitri Payet são nomes que ajudam a explicar o sucesso
do pequeno clube da segunda divisão francesa na formação de jovens jogadores.
Hoje com 14 anos, Thiago Ribeiro deixou a escolinha do Flamengo há dois anos
(Foto: Eduardo Peixoto / Globoesporte.com)
O Le Havre é famoso na França pela formação de jovens jogadores. Alguns
deles deixaram o Alto da Normandia para brilhar na elite francesa e, até mesmo,
europeia. O caminho inverso, no entanto, é raro. O clube não investe em
estrelas internacionais. Adriano pode ser a exceção.
A fama de clube formador, no entanto, pode ajudar no acerto com o Imperador.
O brasileiro está pensando em levar para a França seu irmão, Thiago Ribeiro,
para jogar na base Le Havre.
Adriano visitou o Le Havre na semana passada. Acerto pode acontecer nos próximos dias (Foto: Claudia Garcia)
O futuro presidente do Le Havre, Christophe Maillol, usou esse trunfo
para tentar convencer o atacante a aceitar a proposta por um contrato de seis meses. O
cartola francês ofereceu casa, colégio, aulas privadas de francês e, claro, um
lugar no time da conceituada base do Le Havre ao garoto de 14 anos, que há dois
deixou a escolinha do Flamengo. E esse foi um dos pontos que mais agradou a
Adriano na oferta.
- O presidente propôs, agora vou conversar com a minha família e ver o
que vai dar. O Thiago não está mais no Flamengo, ele estava treinando na
escolinha do clube, mas teve de escolher entre os estudos ou o futebol. Na
minha época, eu nunca tive essa possibilidade, mas ele nem pensou duas vezes. Ele
já estava com os mesmo coleguinhas e queria continuar com eles. Isso é uma
coisa muito importante. Hoje ele tem mais opção do que eu tive. Vamos ver –
disse o Imperador, sobre o interesse do Le Havre em Thiago Ribeiro.
A expectativa de Maillol é que Adriano adquira mais responsabilidade
vivendo com seu irmão e evite trazer
amigos para morar com ele em França, o que, na opinião do investidor, só iria
“prejudicar” o regresso de Adriano aos gramados em Le Havre.
Formação de elite
Se para um jogador, que tornou-se Imperador na Itália, pode parece um
retrocesso defender um clube do segundo escalão francês, para o irmão Thiago a
história seria totalmente diferente. No campo da formação, o Le Havre é um
clube de elite. O complexo de campos de treino dos times da base está entre os
10 primeiros de França.
O Le Havre está no pódio dos clubes exportadores de talentos, atrás
apenas de River Plate e Ajax.
Recentemente, um estudo do Observatório do Futebol do CIES revelou que
15 jogadores formados no Le Havre disputam os cinco principais campeonatos na
Europa (Premier League, Ligue 1, La Liga, Serie A e Bundesliga).
Hoje craque da França, Paul Pogba passou pelo Le Havre na base,
entre 2007 e 2009 (Foto: Getty Images)
Entre as posições, é no gol onde o Le Havre se destaca. Atualmente, seis
goleiros da elite europeia começaram no clube do Alto da Normandia: Nicolas
Douchez (PSG), Carlos Kameni (Malaga), Steve Mandanda et Brice Samba (OM),
Johnny Placide (Reims) e Zacharie Boucher (Toulouse).
O nome mais renomado, entre os jovens que saíram do Le Havre nos últimos
anos, é o de Paul Pogba. Há três temporadas no Juventus, o jogador é uma das
referências do time de Turim, assim como na seleção francesa. Emmanuel
Lelaidier, que trabalha no clube há 10 anos, explica que esta tradição não é de
agora.
- Começou no início
dos anos 90. A partir daí o clube resolveu investir mais em educadores de qualidade,
um bom time de recrutamento espalhado pela França e em ótimas instalações para
convencer os garotos a virem viver e jogar para aqui. O clube nunca teve
dinheiro para comprar jovens badalados. A única opção era mesmo investir no
recrutamento - explicou o responsável
por toda a parte audiovisual e canal Le Havre, que acompanha a
equipe diariamente nos treinamentos e nas viagens.
Dos 29 jogadores que o Le Havre inscreveu este ano na primeira parte
do campeonato da Ligue 2, 11 deles têm idade igual ou inferior a 22 anos. Para
Emmanuele Lelaidier, no dia em que o Le Havre não conseguir mais vender e
valorizar os seus talentos, o clube deixará de existir.
Até por isso, muitos franceses, entre eles jornalistas e torcedores, torcem
o nariz e se mostram perplexos com o interesse em um jogador consagrado, mas em
evidente declínio na carreira. No entanto, Lelaidier acredita que a possível presença
do brasileiro diariamente no C.T. e no clube pode ajudar os mais jovens e
contribuir para a progressão dos garotos.
- Ele pode servir
de exemplo. Ele teve alguns problemas na sua vida e agora parece que decidiu
escolher o Le Havre para recomeçar a carreira. Quando você tem um jogador como
Adriano no seu time, é simplesmente um sonho – disse Lelaidier.
Por ora, Adriano segue no Brasil, aguardando um sinal positivo de Maillol para poder oficializar a contratação do brasileiro. O cartola francês voltou a afirmar, nesta quinta-feira, à imprensa francesa, que falta pouco para se tornar o nono presidente do clube. E o dirigente afirma: o Imperador deve começar a treinar entre o fim de novembro e início de dezembro.

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