Federação diz que "qualquer interferência" do consórcio que prejudique decisões do Conselho Arbitral fará com que não sejam marcadas final e semifinais no estádio
Em mais um capítulo das discussões sobre os custos operacionais do
Maracanã, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro agora
oficializou em nota, na noite desta quinta-feira, que poderá tirar a
final e as semifinais do Carioca do estádio caso não haja acordo que
atenda a todas as partes da polêmica, Ferj, clubes e Consórcio Maracanã.
A nota ainda reitera a decisão de que os gastos operacionais do Maracanã seguirão o modelo de contrato do Flamengo com o consórcio, prejudicando, por tabela, os interesse do Fluminense, clube que, pelo acordo com a administradora, não paga para mandar suas partidas. Caso o Tricolor queira fazer valer seu contrato com o estádio, o valor será calculado apenas sobre a parte que lhe cabe no borderô, não sobre o total da partida.
O capítulo mais recente da polêmica começou na terça-feira, dia em que o Conselho Arbitral da Ferj decidiu que o custo operacional dos jogos do Maracanã será calculado nos mesmos moldes do contrato da concessionária com o Flamengo, com divisão de lucro e despesas, diferentemente do acertado com o Fluminense, no qual o clube não tem gasto algum e pode lucrar apenas com os setores Norte e Sul. No dia seguinte, as direções do Tricolor e do Rubro-Negro, que não haviam mandado representantes à reunião do dia anterior, juntamente com o Consórcio Maracanã, divulgaram uma nota conjunta repudiando a decisão.
A briga continuou, e a Ferj cobrou o Flu um valor de R$ 400 mil, referente à taxa de 10% que a federação tem direito em cada jogo do Estadual. O clube rebateu e contestou a dívida. O presidente Peter Siemsen, ao jornal Extra, fez ainda críticas a Eurico Miranda e Carlos Eduardo Pereira, mandatários, respectivamente de Vasco e Botafogo. Estes, em nota, se defenderam e rebateram as acusações.
Confira a nota oficial da Ferj na íntegra:
"A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro após reunião com Complexo Maracanã, ontem, na sede da Federação, vem a público esclarecer quaisquer possíveis equívocos de interpretação quanto à decisão do Conselho Arbitral, em reunião realizada no dia 17 deste mês, em relação aos jogos do Campeonato Estadual a serem realizados no Maracanã:
1- Contratos firmados entre o Maracanã e qualquer filiado constituem-se em documentos legais cujas obrigações dizem respeito e restringem-se unicamente aos signatários dos mesmos, sem interferência, extensão ou obrigações de terceiros a qualquer dos seus dispositivos;
2- O Maracanã não tem qualquer interferência nas decisões do Conselho Arbitral às quais se obrigam apenas os clubes filiados;
3- Com exceção dos camarotes, a receita proveniente de todos os setores serão computadas para fins de apuração do resultado a ser dividido entre os clubes, na proporção estabelecida pelo Estatuto, na forma dos Regulamentos ou por acordo entre as partes e lançadas no borderô oficial da partida, critério praticado nos jogos do Flamengo;
4- As Despesas Operacionais do Estádio e Aluguel do Estádio serão contabilizadas em borderô, obedecendo o mesmo critério aplicado nas partidas, respectivamente, do Flamengo e do Vasco da Gama: a) despesas operacionais calculadas na base de R$ 10,37 por público pagante, limitado ao máximo de R$ 311.000,00; b) Aluguel de estádio, quando cobrado, será calculado de acordo com percentuais diferenciados aplicados sobre a renda líquida;
5- Condições diversas de receita e ou despesa adotadas unilateralmente por qualquer clube, por força de contratos firmados com o Maracanã, serão suportadas apenas pelos clubes signatários desses compromissos da parte que lhe couber do resultado apurado no borderô oficial;
6- Condições diversas poderão ser adotadas desde que por acordo entre as partes;
7- Qualquer interferência do Maracanã que possa impedir ou prejudicar o cumprimento das decisões do Conselho Arbitral poderá ensejar a não marcação de qualquer partida para esse estádio.
8- Em não havendo contrato ou convênio entre a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e o Complexo Maracanã que contemple e respeite as decisões do Conselho Arbitral, ora apresentadas, nenhuma das partidas das semifinais e finais do campeonato estadual de profissionais será marcada para o estádio do Maracanã.
Rio de Janeiro, 19 de março de 2015
Rubens Lopes da Costa Filho
Presidente"
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