Fã de Fórmula 1 e do piloto brasileiro, jogador italiano abriu uma exposição sobre a vida e carreira do tricampeão mundial em seu espaço de arte em Turim, na Itália
McLaren MP4/8 que Ayrton Senna usou em 1993 no espaço de arte de Del Piero
(Foto: Claudia Garcia)
Ayrton Senna partiu sem realizar o sonho da maioria dos
italianos: de o verem sentado ao volante de uma Ferrari. No entanto, continua
sendo um dos pilotos mais queridos pelos “tifosi”. O brasileiro, que perdeu a
vida na Itália, após o acidente no GP de San Marino em 1994, é objeto de frequentes
tributos no país, mas dessa vez chamou atenção o fato da homenagem ter partido
de outro grande campeão. Alessandro Del Piero, que sempre foi um admirador da
Ferrari e de Senna, decidiu dedicar uma exposição sobre a vida e carreira do
piloto no seu espaço de arte no centro de Turim, com a colaboração do Instituto
Ayrton Senna.
- Desde que abri este espaço, há cerca de dois anos,
estou tentando colaborar com pessoas especiais em vários campos artísticos:
esporte, música, arte, há várias formas de fazer arte. Ayrton foi um artista
pela sua grandeza esportiva e pela forma como conseguiu entrar no coração de
todos nós, não só dos brasileiros, mas de todo o mundo – contou o atacante, em
entrevista por telefone ao GloboEsporte.com.
Confira as imagens do museu no vídeo abaixo:
A exposição, que se chama simplesmente “Ayrton”, foi
inaugurada no dia 5 de fevereiro - na presença de Viviane e o sobrinho Bruno
Senna - e estará aberta até 22 de maio no Adplog (espaço de Del Piero). No
primeiro andar, o publico encontrará várias fotografias da carreira do piloto,
objetos pessoais, macacões e modelos dos carros guiados pelo brasileiro: o
primeiro kart, a Lotus 98T e a famosa McLaren que Senna dirigiu em 1993 e
venceu cinco GPs. No andar inferior, estão disponíveis alguns vídeos, fotos e
painéis informativos sobre as ações do Instituto Ayrton Senna. Del Piero
reservou o último andar desta exposição para partilhar os valores que o unem a
Ayrton Senna. O italiano selecionou algumas fotos da sua carreira para
enquadrar com as imagens de Senna e expôs a sua medalha de campeão do mundo de
2006 ao lado da taça do GP do Brasil conquistada pelo piloto em 1993.
- Acho que temos em comum uma grande paixão pelo próprio
esporte, a vontade de se confrontar com outras pessoas, a vontade de criar
sempre alguma coisa de novo, pensar na próxima vitória, conviver em ambiente
familiar e conseguir emocionar o público. Isso é o que estou tentando e sempre
procurei fazer, afirmou o italiano, que se diz impressionado pelo impacto da
recordação de Senna no público, mesmo passados quase 21 anos da sua morte.
- A morte de Ayrton foi um choque para todo o mundo. Foi
um fim de semana horrível, trágico e todos os italianos ficaram sem respiração
ao verem aquelas imagens. Eu como italiano e “ferrarista” queria sempre ter visto
Senna correr com a Ferrari. Não foi possível, mas nada muda aquela que foi a
grandeza de Ayrton, que foi capaz de tocar as pessoas de uma forma incrível e
manter viva e muito forte a sua recordação, mais do que outros campeões, que
podem até ter ganho mais do que ele, mas não conseguiram transmitir a mesma
emoção - observou.
Futuro no Brasil?
A influência de Ayrton Senna e do povo brasileiro na vida
de Alessandro Del Piero é cada vez mais atual. O italiano confessou que
recentemente se apaixonou pela cultura brasileira e principalmente pela cidade
do Rio de Janeiro. O atacante visitou o Brasil durante a Copa do Mundo não
exclui regressar para novos projetos ligados ao Instituto Ayrton Senna e até à
prorrogação da sua carreira nos gramados.
- O meu intercâmbio com o Brasil tem sido cada vez mais
vivo. Além da admiração por Ayrton, também estive na Copa do Mundo, visitei
algumas favelas e alguns fotógrafos brasileiros já colaboraram com o meu espaço
artístico. Gostei muito do Rio de Janeiro e acho fantástica a forma como os
brasileiros vivem o futebol. No passado fui sondado por alguns clubes
brasileiros, mas neste momento não tenho nada planejado - revelou o campeão do
mundo que agora está vivendo em Los Angeles com a esposa e os três filhos,
depois de uma breve passagem de quatro meses pelo campeonato indiano e uma
longa experiência de três anos em Sidney.
Del Piero jogou três anos no Sidney FC da Austrália
(Foto: Getty Images)
A única certeza de
Del Piero é que o futebol, para ele, está ainda longe de terminar.
- Os últimos três anos em Sidney foram incríveis, eu e a
minha família queríamos fazer alguma coisa diferente, por isso decidi sair da
Europa para conhecer mundos, filosofias e formas diferentes de viver o futebol.
Agora estou fazendo só de papai, os meus filhos estão estudando aqui em Los
Angeles, mas a vontade de jogar futebol não me deixará. É a coisa mais bela - concluiu.
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