Seleção enfrenta o anfitrião Uruguai nesta segunda-feira, no estádio Centenário. Celeste venceu os brasileiros na primeira fase à base de provocações e bola aérea
Nada mais simbólico para a seleção brasileira sub-20 do que
iniciar o hexagonal final do Sul-Americano enfrentando o Uruguai. A Celeste,
anfitriã do torneio, impôs a única derrota do Brasil na competição com armas
que os comandados do técnico Alexandre Gallo necessitavam aprender a controlar:
catimba, força física, pressão da torcida. O teste para saber se os garotos
canarinhos entenderam a lição acontece nesta segunda-feira, às 22h10 (de
Brasília), no estádio Centenário, em Montevidéu. O SporTV transmite o jogo ao
vivo, e o GloboEsporte.com acompanha em Tempo Real.
A derrota para a Celeste por 2 a 0 na primeira fase, em
Maldonado, foi a atuação mais fraca da seleção no torneio. O time teve
dificuldades com a pressão feita pelos uruguaios, além das provocações dentro e
fora de campo. Taticamente, a superioridade celeste apareceu nas bolas paradas:
foi assim que saíram os dois gols dos anfitriões.
Para lidar com isso, o técnico Alexandre Gallo comandou um
treino na véspera da partida enfatizando as bolas aéreas – em dado momento, o
auxiliar Mauricio Copertino lançava bolas na área para os zagueiros afastarem
de cabeça (veja no vídeo abaixo). Em relação à catimba uruguaia, o recado é claro: não se pode entrar
na provocação rival.
- Nós conversamos constantemente em função disso. Precisamos
ter equilíbrio, não entrar no jogo sul-americano. Temos de colocar nosso jogo.
O Uruguai tem característica de fazer um jogo de ligação direta, que nos
incomoda bastante e dificulta, porque eles são uma equipe alta, que não tem ligação
por baixo. Isso nos dificultou muito no primeiro jogo, acabamos tomando dois
gols praticamente da mesma maneira. Não houve jogo em si. O jogo foi mascado,
truncado. Nós temos que entrar com o espírito que a competição pede. É
importante que a gente entre com mais atenção – disse Gallo.
Entre os jogadores, a ideia é parecida. O atacante Marcos
Guilherme, artilheiro da equipe com três gols, disse esperar que as provocações
sejam ainda piores no hexagonal e pediu para o time manter o estilo. O goleiro
Marcos, porém, tem opinião diferente. Mostrando personalidade, disse que a
seleção precisa aprender a lidar com os obstáculos.
- Agora a gente tem que entrar no jogo deles. Se é na
catimba, com torcida, árbitro... A gente tem que lidar com tudo isso. Acho que
nossa equipe está bem preparada psicologicamente. A gente veio para ganhar o
título, não para ficar preocupado com Uruguai ou Argentina, se vão para cima ou
fazer catimba. Estamos preparados para fazer o futebol brasileiro, com ousadia
e alegria – afirmou o arqueiro.
O hexagonal do Sul-Americano dá quatro vagas para o Mundial
sub-20, que será disputado na Nova Zelândia em maio. Para Gallo, este é o
principal objetivo da seleção na competição. Brigar pelo título só entra em
consideração caso o time mostre evolução no torneio. Para isso, o treinador
espera poder manter a mesma equipe – na fase inicial, houve mudanças nos dois
últimos jogos muito em função da questão física.
- A gente espera manter sempre a mesma equipe. A cada jogo
você enfrenta seleções com características diferentes, e a competição também
pede para a gente se adaptar um pouquinho ao adversário.
Marlon sobe para tirar bola de cabeça:
seleção treinou proteção contra jogadas aéreas
(Foto: Felipe Schmidt)
Para o duelo com o Uruguai, Gallo já definiu o time, mas não
quis divulgar. Quer aproveitar a rotatividade feita nas outras partidas para
deixar a Celeste às cegas antes da partida.
- O time já está escolhido, os jogadores já sabem. Como
houve essa rotatividade, a gente tenta criar um pouquinho de dificuldade para o
adversário, que é forte. A gente respeita também, mas vamos fazer de tudo para vencer.
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